{"id":1399,"date":"2026-10-28T15:25:11","date_gmt":"2026-10-28T18:25:11","guid":{"rendered":"https:\/\/portalincluir.com.br\/?p=1399"},"modified":"2026-10-28T15:39:29","modified_gmt":"2026-10-28T18:39:29","slug":"educacao-para-a-igualdade-de-genero-e-caminho-para-prevenir-o-feminicidio-defende-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalincluir.com.br\/index.php\/2026\/10\/28\/educacao-para-a-igualdade-de-genero-e-caminho-para-prevenir-o-feminicidio-defende-pesquisadora\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o para a igualdade de g\u00eanero \u00e9 caminho para prevenir o feminic\u00eddio, defende pesquisadora"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enfrentamento do feminic\u00eddio exige mais do que medidas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e puni\u00e7\u00e3o aos agressores. Tamb\u00e9m passa pela transforma\u00e7\u00e3o de valores e comportamentos que, ao longo das gera\u00e7\u00f5es, contribuem para a desigualdade entre homens e mulheres. A educa\u00e7\u00e3o para a igualdade de g\u00eanero \u00e9 apontada pela professora e pesquisadora Fadja Froes como uma das principais estrat\u00e9gias para prevenir a viol\u00eancia e construir uma sociedade em que as mulheres tenham respeitados seus direitos, sua autonomia e suas escolhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista ao jornalista J\u00fanior Patente, a pesquisadora defendeu que a preven\u00e7\u00e3o precisa come\u00e7ar na inf\u00e2ncia, dentro de casa, e continuar nas escolas, nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e nos demais espa\u00e7os de conviv\u00eancia social. Para ela, a ideia de que homens e mulheres devem cumprir pap\u00e9is diferentes, com a submiss\u00e3o feminina como regra, contribui para perpetuar rela\u00e7\u00f5es desiguais de poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Fadja Froes, esses padr\u00f5es s\u00e3o reproduzidos por discursos e pr\u00e1ticas presentes em diferentes ambientes sociais, incluindo fam\u00edlias, escolas e espa\u00e7os religiosos. Quando a mulher \u00e9 apresentada como algu\u00e9m que deve obedecer ao homem ou ocupar um lugar predeterminado na sociedade, essa vis\u00e3o pode contribuir para a naturaliza\u00e7\u00e3o de comportamentos de controle e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora ressalta que romper com essa l\u00f3gica exige um processo educativo cont\u00ednuo. N\u00e3o se trata de uma mudan\u00e7a imediata, mas de uma constru\u00e7\u00e3o que envolve diferentes gera\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a dentro de casa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A divis\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas \u00e9 um dos exemplos apresentados para mostrar como a igualdade pode ser ensinada desde os primeiros anos de vida. Cozinhar, lavar a lou\u00e7a, cuidar das crian\u00e7as e organizar a casa n\u00e3o s\u00e3o responsabilidades determinadas pelo sexo, mas atividades que podem ser compartilhadas entre os integrantes da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o de meninos e meninas nessas tarefas ajuda a demonstrar, na pr\u00e1tica, que homens e mulheres t\u00eam responsabilidades e direitos iguais. O mesmo princ\u00edpio vale para as escolhas profissionais, os projetos pessoais e as oportunidades oferecidas \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a pesquisadora, meninos n\u00e3o devem ser desencorajados a seguir profiss\u00f5es tradicionalmente associadas \u00e0s mulheres, assim como meninas n\u00e3o devem ter seus sonhos limitados por estere\u00f3tipos de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o para a igualdade tamb\u00e9m precisa envolver os adultos. Pais, m\u00e3es e respons\u00e1veis desempenham um papel importante na forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, tanto pelas orienta\u00e7\u00f5es que oferecem quanto pelos comportamentos que reproduzem no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que significa educar para a igualdade de g\u00eanero?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o para a igualdade de g\u00eanero busca questionar a ideia de que existem atividades, profiss\u00f5es, comportamentos ou posi\u00e7\u00f5es sociais exclusivos de homens ou de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa desconsiderar as diferen\u00e7as individuais, mas reconhecer que elas n\u00e3o justificam desigualdades de direitos, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade ou rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, significa ensinar \u00e0s crian\u00e7as que meninas podem ocupar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, praticar esportes, escolher qualquer profiss\u00e3o e tomar decis\u00f5es sobre suas vidas. Da mesma forma, meninos podem expressar sentimentos, cuidar da casa e dos filhos e escolher caminhos profissionais sem serem submetidos a preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fadja Froes defende que essa forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para que crian\u00e7as e adolescentes reconhe\u00e7am comportamentos abusivos e compreendam que controle, humilha\u00e7\u00e3o, amea\u00e7as e agress\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o demonstra\u00e7\u00f5es de amor ou autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escola, nesse contexto, pode desempenhar um papel importante na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es baseadas no respeito e na igualdade. A abordagem do tema deve contribuir para identificar estere\u00f3tipos, prevenir discrimina\u00e7\u00f5es e ensinar que nenhuma pessoa tem o direito de controlar a vida de outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Feminic\u00eddio n\u00e3o pode ser justificado pelo comportamento da v\u00edtima<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos pontos centrais da entrevista \u00e9 a necessidade de mudar a maneira como a sociedade interpreta os casos de viol\u00eancia contra a mulher, especialmente os feminic\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora critica a pr\u00e1tica de investigar a vida pessoal da v\u00edtima para procurar explica\u00e7\u00f5es que possam relativizar a responsabilidade do agressor. Questionamentos sobre roupas, relacionamentos, separa\u00e7\u00f5es ou decis\u00f5es pessoais desviam a aten\u00e7\u00e3o de quem praticou a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta fundamental, segundo ela, n\u00e3o deve ser o que a mulher fez para morrer, mas por que o agressor decidiu mat\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminic\u00eddio n\u00e3o pode ser tratado como consequ\u00eancia de uma escolha da v\u00edtima nem como uma rea\u00e7\u00e3o justific\u00e1vel diante do fim de um relacionamento, de uma recusa ou de uma decis\u00e3o de viver de forma independente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de que uma mulher pertence ao companheiro e n\u00e3o pode decidir sobre a pr\u00f3pria vida est\u00e1 entre os comportamentos que precisam ser enfrentados. A separa\u00e7\u00e3o, a autonomia e o exerc\u00edcio da liberdade n\u00e3o autorizam amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es ou agress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para a atua\u00e7\u00e3o de pessoas nas redes sociais que procuram informa\u00e7\u00f5es sobre a vida das v\u00edtimas para defender os agressores ou relativizar a viol\u00eancia. Essa postura pode refor\u00e7ar a culpabiliza\u00e7\u00e3o das mulheres e contribuir para a naturaliza\u00e7\u00e3o de comportamentos violentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A responsabilidade pela agress\u00e3o \u00e9 de quem a pratica. A exposi\u00e7\u00e3o da vida pessoal da v\u00edtima n\u00e3o deve servir para desviar o foco do crime ou constranger outras mulheres que precisam de ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Medidas protetivas s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o encerram o problema<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medidas protetivas de urg\u00eancia representam um instrumento importante para a seguran\u00e7a de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Entretanto, a exist\u00eancia de uma decis\u00e3o judicial n\u00e3o significa que o risco tenha desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fadja chama a aten\u00e7\u00e3o para os casos em que agressores descumprem as determina\u00e7\u00f5es judiciais, invadem os espa\u00e7os frequentados pelas v\u00edtimas e mant\u00eam comportamentos de persegui\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Bahia, a Ronda Maria da Penha \u00e9 citada pela pesquisadora como um mecanismo de acompanhamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das medidas protetivas. Ainda assim, ela avalia que os instrumentos de prote\u00e7\u00e3o precisam estar associados a uma pol\u00edtica mais ampla de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mulher que denuncia uma agress\u00e3o pode continuar exposta ao perigo, inclusive quando precisa deixar a pr\u00f3pria resid\u00eancia para preservar a vida. Essa situa\u00e7\u00e3o evidencia a necessidade de ampliar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, acolhimento e apoio \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exige aten\u00e7\u00e3o aos sinais anteriores \u00e0 viol\u00eancia letal, como amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es, intimida\u00e7\u00f5es e tentativas de controlar a rotina e as decis\u00f5es da mulher. Esses comportamentos n\u00e3o devem ser tratados como manifesta\u00e7\u00f5es normais de ci\u00fame ou conflitos comuns de relacionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acolher sem julgar: responsabilidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto destacado na entrevista \u00e9 o atendimento oferecido \u00e0s mulheres que procuram as autoridades para denunciar situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora utiliza o conceito de vitimiza\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria para explicar o sofrimento adicional provocado por institui\u00e7\u00f5es que deveriam proteger a v\u00edtima, mas acabam expondo-a a constrangimentos, desconfian\u00e7a ou repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de relatos dolorosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma mulher procura uma delegacia ou outro servi\u00e7o p\u00fablico e tem sua palavra colocada em d\u00favida, pode sentir vergonha, medo e desest\u00edmulo para continuar a den\u00fancia. A experi\u00eancia negativa tamb\u00e9m pode levar outras v\u00edtimas a acreditar que n\u00e3o ser\u00e3o acolhidas caso procurem ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o preparo dos profissionais que atuam nas delegacias, nos servi\u00e7os de assist\u00eancia e no sistema de Justi\u00e7a \u00e9 fundamental. O atendimento deve ser realizado com respeito, escuta qualificada e compreens\u00e3o das particularidades da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora ressalta que a cr\u00edtica n\u00e3o se dirige indistintamente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es policiais, mas \u00e0 necessidade de preparar adequadamente os agentes p\u00fablicos respons\u00e1veis por receber e encaminhar essas ocorr\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acolhimento precisa evitar julgamentos sobre a conduta da v\u00edtima e garantir que a den\u00fancia seja tratada com seriedade. A mulher que procura ajuda deve encontrar orienta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o novas formas de constrangimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma mudan\u00e7a que envolve toda a sociedade<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta defendida por Fadja Froes vai al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es direcionadas \u00e0s v\u00edtimas e aos agressores. Para ela, a preven\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio depende de uma transforma\u00e7\u00e3o cultural que envolva fam\u00edlias, escolas, institui\u00e7\u00f5es religiosas, servi\u00e7os p\u00fablicos e meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa questionar discursos que colocam a mulher em posi\u00e7\u00e3o de inferioridade, combater a discrimina\u00e7\u00e3o e deixar de reproduzir a ideia de que a autoridade masculina deve prevalecer sobre as decis\u00f5es femininas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debate sobre igualdade de g\u00eanero tamb\u00e9m precisa ser compreendido como uma oportunidade de ensinar respeito, responsabilidade e conviv\u00eancia. Meninos e meninas devem aprender que as diferen\u00e7as n\u00e3o estabelecem hierarquias e que ningu\u00e9m pode impor sua vontade a outra pessoa por meio de amea\u00e7as ou viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o, isoladamente, n\u00e3o substitui a investiga\u00e7\u00e3o dos crimes, a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos agressores, as medidas protetivas nem os servi\u00e7os especializados de atendimento. Ela integra, por\u00e9m, uma estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o que busca agir tamb\u00e9m sobre as condi\u00e7\u00f5es culturais que favorecem a desigualdade e a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem central da pesquisadora \u00e9 que a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais segura para as mulheres come\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es cotidianas. Dividir responsabilidades, respeitar escolhas, combater estere\u00f3tipos e ensinar igualdade desde a inf\u00e2ncia s\u00e3o atitudes que ajudam a transformar a maneira como homens e mulheres se relacionam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 um desfecho inevit\u00e1vel dos conflitos afetivos. \u00c9 uma forma extrema de viol\u00eancia que precisa ser enfrentada com prote\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as sociais. Educar para a igualdade significa afirmar que nenhuma mulher deve perder a vida por decidir sobre o pr\u00f3prio corpo, seus relacionamentos ou seu futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Professora Fadja Froes destaca que a viol\u00eancia contra a mulher est\u00e1 relacionada \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es machistas e defende mudan\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o familiar, escolar e social para romper o ciclo da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enfrentamento do feminic\u00eddio exige mais do que medidas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e puni\u00e7\u00e3o aos agressores. Tamb\u00e9m passa pela transforma\u00e7\u00e3o de valores e comportamentos que, ao longo das gera\u00e7\u00f5es, contribuem para a desigualdade entre homens e mulheres. A educa\u00e7\u00e3o para a igualdade de g\u00eanero \u00e9 apontada pela professora e pesquisadora Fadja Froes como uma das principais estrat\u00e9gias para prevenir a viol\u00eancia e construir uma sociedade em que as mulheres tenham respeitados seus direitos, sua autonomia e suas escolhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista ao jornalista J\u00fanior Patente, a pesquisadora defendeu que a preven\u00e7\u00e3o precisa come\u00e7ar na inf\u00e2ncia, dentro de casa, e continuar nas escolas, nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e nos demais espa\u00e7os de conviv\u00eancia social. Para ela, a ideia de que homens e mulheres devem cumprir pap\u00e9is diferentes, com a submiss\u00e3o feminina como regra, contribui para perpetuar rela\u00e7\u00f5es desiguais de poder.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/megaradiovca.com.br\/kcfinder251\/upload\/images\/fardja%202.jpeg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Fadja Froes, esses padr\u00f5es s\u00e3o reproduzidos por discursos e pr\u00e1ticas presentes em diferentes ambientes sociais, incluindo fam\u00edlias, escolas e espa\u00e7os religiosos. Quando a mulher \u00e9 apresentada como algu\u00e9m que deve obedecer ao homem ou ocupar um lugar predeterminado na sociedade, essa vis\u00e3o pode contribuir para a naturaliza\u00e7\u00e3o de comportamentos de controle e viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora ressalta que romper com essa l\u00f3gica exige um processo educativo cont\u00ednuo. N\u00e3o se trata de uma mudan\u00e7a imediata, mas de uma constru\u00e7\u00e3o que envolve diferentes gera\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a dentro de casa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A divis\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas \u00e9 um dos exemplos apresentados para mostrar como a igualdade pode ser ensinada desde os primeiros anos de vida. Cozinhar, lavar a lou\u00e7a, cuidar das crian\u00e7as e organizar a casa n\u00e3o s\u00e3o responsabilidades determinadas pelo sexo, mas atividades que podem ser compartilhadas entre os integrantes da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o de meninos e meninas nessas tarefas ajuda a demonstrar, na pr\u00e1tica, que homens e mulheres t\u00eam responsabilidades e direitos iguais. O mesmo princ\u00edpio vale para as escolhas profissionais, os projetos pessoais e as oportunidades oferecidas \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a pesquisadora, meninos n\u00e3o devem ser desencorajados a seguir profiss\u00f5es tradicionalmente associadas \u00e0s mulheres, assim como meninas n\u00e3o devem ter seus sonhos limitados por estere\u00f3tipos de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o para a igualdade tamb\u00e9m precisa envolver os adultos. Pais, m\u00e3es e respons\u00e1veis desempenham um papel importante na forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, tanto pelas orienta\u00e7\u00f5es que oferecem quanto pelos comportamentos que reproduzem no cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que significa educar para a igualdade de g\u00eanero?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o para a igualdade de g\u00eanero busca questionar a ideia de que existem atividades, profiss\u00f5es, comportamentos ou posi\u00e7\u00f5es sociais exclusivos de homens ou de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa desconsiderar as diferen\u00e7as individuais, mas reconhecer que elas n\u00e3o justificam desigualdades de direitos, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade ou rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, significa ensinar \u00e0s crian\u00e7as que meninas podem ocupar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, praticar esportes, escolher qualquer profiss\u00e3o e tomar decis\u00f5es sobre suas vidas. Da mesma forma, meninos podem expressar sentimentos, cuidar da casa e dos filhos e escolher caminhos profissionais sem serem submetidos a preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fadja Froes defende que essa forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para que crian\u00e7as e adolescentes reconhe\u00e7am comportamentos abusivos e compreendam que controle, humilha\u00e7\u00e3o, amea\u00e7as e agress\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o demonstra\u00e7\u00f5es de amor ou autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escola, nesse contexto, pode desempenhar um papel importante na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es baseadas no respeito e na igualdade. A abordagem do tema deve contribuir para identificar estere\u00f3tipos, prevenir discrimina\u00e7\u00f5es e ensinar que nenhuma pessoa tem o direito de controlar a vida de outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Feminic\u00eddio n\u00e3o pode ser justificado pelo comportamento da v\u00edtima<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos pontos centrais da entrevista \u00e9 a necessidade de mudar a maneira como a sociedade interpreta os casos de viol\u00eancia contra a mulher, especialmente os feminic\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora critica a pr\u00e1tica de investigar a vida pessoal da v\u00edtima para procurar explica\u00e7\u00f5es que possam relativizar a responsabilidade do agressor. Questionamentos sobre roupas, relacionamentos, separa\u00e7\u00f5es ou decis\u00f5es pessoais desviam a aten\u00e7\u00e3o de quem praticou a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta fundamental, segundo ela, n\u00e3o deve ser o que a mulher fez para morrer, mas por que o agressor decidiu mat\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminic\u00eddio n\u00e3o pode ser tratado como consequ\u00eancia de uma escolha da v\u00edtima nem como uma rea\u00e7\u00e3o justific\u00e1vel diante do fim de um relacionamento, de uma recusa ou de uma decis\u00e3o de viver de forma independente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de que uma mulher pertence ao companheiro e n\u00e3o pode decidir sobre a pr\u00f3pria vida est\u00e1 entre os comportamentos que precisam ser enfrentados. A separa\u00e7\u00e3o, a autonomia e o exerc\u00edcio da liberdade n\u00e3o autorizam amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es ou agress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para a atua\u00e7\u00e3o de pessoas nas redes sociais que procuram informa\u00e7\u00f5es sobre a vida das v\u00edtimas para defender os agressores ou relativizar a viol\u00eancia. Essa postura pode refor\u00e7ar a culpabiliza\u00e7\u00e3o das mulheres e contribuir para a naturaliza\u00e7\u00e3o de comportamentos violentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A responsabilidade pela agress\u00e3o \u00e9 de quem a pratica. A exposi\u00e7\u00e3o da vida pessoal da v\u00edtima n\u00e3o deve servir para desviar o foco do crime ou constranger outras mulheres que precisam de ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Medidas protetivas s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o encerram o problema<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medidas protetivas de urg\u00eancia representam um instrumento importante para a seguran\u00e7a de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Entretanto, a exist\u00eancia de uma decis\u00e3o judicial n\u00e3o significa que o risco tenha desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fadja&nbsp;chama a aten\u00e7\u00e3o para os casos em que agressores descumprem as determina\u00e7\u00f5es judiciais, invadem os espa\u00e7os frequentados pelas v\u00edtimas e mant\u00eam comportamentos de persegui\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Bahia, a Ronda Maria da Penha \u00e9 citada pela pesquisadora como um mecanismo de acompanhamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das medidas protetivas. Ainda assim, ela avalia que os instrumentos de prote\u00e7\u00e3o precisam estar associados a uma pol\u00edtica mais ampla de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mulher que denuncia uma agress\u00e3o pode continuar exposta ao perigo, inclusive quando precisa deixar a pr\u00f3pria resid\u00eancia para preservar a vida. Essa situa\u00e7\u00e3o evidencia a necessidade de ampliar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, acolhimento e apoio \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exige aten\u00e7\u00e3o aos sinais anteriores \u00e0 viol\u00eancia letal, como amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es, intimida\u00e7\u00f5es e tentativas de controlar a rotina e as decis\u00f5es da mulher. Esses comportamentos n\u00e3o devem ser tratados como manifesta\u00e7\u00f5es normais de ci\u00fame ou conflitos comuns de relacionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acolher sem julgar: responsabilidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto destacado na entrevista \u00e9 o atendimento oferecido \u00e0s mulheres que procuram as autoridades para denunciar situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora utiliza o conceito de vitimiza\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria para explicar o sofrimento adicional provocado por institui\u00e7\u00f5es que deveriam proteger a v\u00edtima, mas acabam expondo-a a constrangimentos, desconfian\u00e7a ou repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de relatos dolorosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma mulher procura uma delegacia ou outro servi\u00e7o p\u00fablico e tem sua palavra colocada em d\u00favida, pode sentir vergonha, medo e desest\u00edmulo para continuar a den\u00fancia. A experi\u00eancia negativa tamb\u00e9m pode levar outras v\u00edtimas a acreditar que n\u00e3o ser\u00e3o acolhidas caso procurem ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o preparo dos profissionais que atuam nas delegacias, nos servi\u00e7os de assist\u00eancia e no sistema de Justi\u00e7a \u00e9 fundamental. O atendimento deve ser realizado com respeito, escuta qualificada e compreens\u00e3o das particularidades da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora ressalta que a cr\u00edtica n\u00e3o se dirige indistintamente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es policiais, mas \u00e0 necessidade de preparar adequadamente os agentes p\u00fablicos respons\u00e1veis por receber e encaminhar essas ocorr\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O acolhimento precisa evitar julgamentos sobre a conduta da v\u00edtima e garantir que a den\u00fancia seja tratada com seriedade. A mulher que procura ajuda deve encontrar orienta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o novas formas de constrangimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma mudan\u00e7a que envolve toda a sociedade<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta defendida por Fadja Froes vai al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es direcionadas \u00e0s v\u00edtimas e aos agressores. Para ela, a preven\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio depende de uma transforma\u00e7\u00e3o cultural que envolva fam\u00edlias, escolas, institui\u00e7\u00f5es religiosas, servi\u00e7os p\u00fablicos e meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa questionar discursos que colocam a mulher em posi\u00e7\u00e3o de inferioridade, combater a discrimina\u00e7\u00e3o e deixar de reproduzir a ideia de que a autoridade masculina deve prevalecer sobre as decis\u00f5es femininas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debate sobre igualdade de g\u00eanero tamb\u00e9m precisa ser compreendido como uma oportunidade de ensinar respeito, responsabilidade e conviv\u00eancia. Meninos e meninas devem aprender que as diferen\u00e7as n\u00e3o estabelecem hierarquias e que ningu\u00e9m pode impor sua vontade a outra pessoa por meio de amea\u00e7as ou viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o, isoladamente, n\u00e3o substitui a investiga\u00e7\u00e3o dos crimes, a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos agressores, as medidas protetivas nem os servi\u00e7os especializados de atendimento. Ela integra, por\u00e9m, uma estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o que busca agir tamb\u00e9m sobre as condi\u00e7\u00f5es culturais que favorecem a desigualdade e a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem central da pesquisadora \u00e9 que a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais segura para as mulheres come\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es cotidianas. Dividir responsabilidades, respeitar escolhas, combater estere\u00f3tipos e ensinar igualdade desde a inf\u00e2ncia s\u00e3o atitudes que ajudam a transformar a maneira como homens e mulheres se relacionam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O feminic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 um desfecho inevit\u00e1vel dos conflitos afetivos. \u00c9 uma forma extrema de viol\u00eancia que precisa ser enfrentada com prote\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as sociais. Educar para a igualdade significa afirmar que nenhuma mulher deve perder a vida por decidir sobre o pr\u00f3prio corpo, seus relacionamentos ou seu futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira o v\u00eddeo<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Feminic\u00eddio: por que a sociedade culpa a v\u00edtima em vez de responsabilizar o agressor? | Fadja Fr\u00f3es\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qiSe4sz6VHw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enfrentamento do feminic\u00eddio exige mais do que medidas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e puni\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[9,23],"tags":[29,27,31,32,30,28,26],"class_list":["post-1399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-video","tag-educacao","tag-genero","tag-justica","tag-lei-maria-da-penha","tag-machismo","tag-mulher","tag-violencia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - 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