28 de janeiro de 2026
Valéria Sales - Arquivo pessoal (1)

O corpo é o elemento essencial de contato com o mundo, porque é por meio dele que se processam as aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. O corpo é um campo sensorial, assimilando e processando os estímulos pelos diferentes sentidos, elemento importantíssimo paraa comunicação, a expressão da humanidade, por meio deleinteragimos com o mundo. Nesse interagir corpo/mundo, percebemos na pessoa com Transtorno do Espectro Autista – TEA, facilidades e dificuldades que vão compondo o indivíduo e apontando as necessidades de intervenções.

Percebemos o mundo, por meio dos sentidos mediados pelo corpo. Na interação com o mundo construímos histórias, nos movimentamos, nos relacionamos, aprendemos a conviver e viver.

O estado de pertencimento torna o corpo sensório responsável por nossa imersão no mundo, ele é o pilar fundamental para estarmos e participarmos da vida. Com poucas vivências corporais, a pessoa com TEA não interage de modo favorável nas experiências que passam por ela, pois suas sensações empobrecidas a impedem de agir sobre o mundo que a rodeia comunicando-se, falando e sendo ouvida.

O corpo com sua capacidade de mediar as relações com o mundo torna possível formar conceitos sobre as experiências vividas. O não reconhecimento deste corpo enquanto veículo de comunicação interfere no desenvolvimento da pessoa com TEA, dificultando suas interações consigo e com o mundo.

Ao observarmos uma pessoa em interação com as atividades próprias do dia a dia, não conseguimos mensurar a qualidade das interações ali envolvidas a partir dos sentidos presentes naquele ser humano.

É necessário explorar o mundo, a pobreza de exploração retarda e limita a capacidade de relacionar-se. Posto isso, falaremos um pouco sobre as oficinas multissensoriais, que são lúdicas e envolvem emoções, habilidades motoras, sociais e cognitivas. As oficinas tem o objetivo de experienciar ludicamente estímulos diretamente ligados aos sistemas sensoriais, utilizando materiais de diversas texturas, sons, gostos, aromas dentre outras sensações.Nas oficinas multissensoriais a pessoa com TEA aprende a lidar com frustrações, realizações, expressar suas inquietações, organizar seu mundo interior e principalmente estimular e regular suas percepções sensoriais.

As experiências vivenciadas nas oficinas multissensoriaispropicia a pessoa com TEA, cada uma dentro de suas possibilidades, aumentar seu repertório minimizando os atrasos referentes ao processo de integração sensorial que empobreciam suas relações subjetivas. Por meio das oficinas é possível remover determinados bloqueios sensórios corporais que tornarão viável a construção de um futuro diálogo das pessoas com TEA e seus pares. As atividades práticas incentivam movimentos interpessoais que promove relação sensório corporal mais robusta que permite a utilização do corpo com autoconsciência promovendo interações mais ricas.           

Valéria Sales dos Santos – Mestre em Diversidade e Inclusão (UFF), Fonoaudióloga CRFª 5492(RJ), Especialista em Autismo, Educação Especial Inclusiva, Gestão Escolar e Atendimento Educacional Especializado – AEE, Pós graduanda em ABA para Autismo e Deficiência Intelectual pelo ChildBehaviorInstituteof Miami. Autora do livro “Transtorno do Espectro Autista – Oficinas multissensoriais” – Wak Editora

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