28 de janeiro de 2026
turistas

O que deveria ser um mergulho refrescante nas águas cristalinas de Porto de Galinhas, um dos destinos mais cobiçados do Brasil, transformou-se em um cenário de terror e barbárie. O casal Johnny e Cleiton viu o descanso de férias virar uma luta pela sobrevivência ao serem vítimas de uma tentativa de linchamento. O “crime” deles? Conhecer a lei e recusar-se a ceder à extorsão mascarada de serviço.

A “Lei do Mais Forte” na Areia Pública

A violência explodiu quando o casal questionou a imposição de uma consumação mínima para o uso de cadeiras e guarda-sóis. O que começou como uma cobrança abusiva escalou rapidamente para ameaças e agressões físicas. Em um espaço que pertence a todos os brasileiros, Johnny e Cleiton foram tratados como invasores por milícias comerciais que agem como donas da orla.

Não se trata apenas de um “mal-entendido” sobre preços. O que ocorreu foi uma combinação criminosa de venda casada, apropriação de espaço público e extorsão. Quando a violência é usada para forçar um pagamento indevido, a barreira do direito do consumidor é rompida e entramos na esfera criminal.

O Abuso que a Justiça Proíbe, mas a Areia Ignora

Enquanto o poder público parece fechar os olhos, os direitos dos cidadãos são enterrados na areia. É preciso dar nome aos bois:

  • Extorsão (Art. 158 do Código Penal): Usar violência ou grave ameaça para obter vantagem econômica. Não é “regra da barraca”, é crime punível com reclusão.
  • Venda Casada (Art. 39 do CDC): É proibido condicionar o uso de mobiliário à compra de comida ou bebida.
  • A Praia é de Todos: A faixa de areia é um bem público. Ninguém tem o direito de cercar, lotear ou expulsar banhistas que não queiram consumir seus produtos.

Um Sistema Alimentado pelo Medo

O caso de Johnny e Cleiton não é um ponto fora da curva; é o sintoma de um sistema apodrecido pela normalização do abuso. Muitos turistas pagam valores exorbitantes e aceitam humilhações por medo, para não “estragar o passeio”. Mas o preço desse silêncio é a perpetuação de máfias que mancham o turismo nordestino e colocam vidas em risco.

Até quando o lucro de uma barraca valerá mais que a integridade física de um cidadão? A hospitalidade de Porto de Galinhas não pode ser refém de quem usa a força bruta como modelo de negócio.

Justiça: O Único Caminho Contra a Barbárie

Não basta apenas lamentar nas redes sociais. A indignação precisa se transformar em denúncia formal. O Ministério Público, o Procon e a Polícia Civil precisam agir com rigor para que “Porto” volte a ser um lugar de acolhimento, e não um território sem lei.

Se você presenciar ou for vítima de abusos como este, não se cale. A praia não tem dono, e o seu direito de ir e vir — sem ser extorquido — é inegociável.

A tragédia que quase custou a vida de Johnny e Cleiton provocou uma reação imediata e rigorosa do poder público. Diante da repercussão nacional e da gravidade do ocorrido, a Prefeitura de Ipojuca e o Governo de Pernambuco anunciaram uma série de medidas drásticas para “limpar” a orla de práticas criminosas e abusivas.

Aqui está o que as autoridades estão fazendo para garantir que Porto de Galinhas deixe de ser um cenário de abusos:

1. Tolerância Zero: O Novo Decreto Municipal

A prefeitura de Ipojuca poublicou o Decreto nº 149/2026, que proíbe terminantemente a cobrança de qualquer taxa de consumação mínima ou multa por ausência de consumo nas praias do município (incluindo Porto de Galinhas, Muro Alto, Cupê e Maracaípe).

  • Punições Severas: As barracas que forem flagradas exigindo consumação mínima agora enfrentam a interdição imediata do estabelecimento e a cassação definitiva do alvará de funcionamento.
  • Transparência Obrigatória: Todos os estabelecimentos devem manter cardápios com preços visíveis e legíveis, proibindo qualquer “surpresa” ou alteração de valor após o cliente já estar acomodado.

2. Punições Exemplares e Investigação Criminal

O poder público não tratou o caso apenas como uma infração administrativa, mas como um crime grave:

  • Barraca Interditada: A barraca onde o linchamento começou foi interditada pela prefeitura.
  • Identificação de Agressores: A Polícia Civil já identificou 14 pessoas envolvidas na agressão ao casal. Elas responderão criminalmente pelos seus atos.
  • Afastamento de Funcionários: A associação de barraqueiros foi instruída a afastar permanentemente os envolvidos em episódios de violência.

3. “Choque de Ordem” e Fiscalização Reforçada

A Secretaria de Defesa Social e o Procon-PE iniciaram operações conjuntas na areia:

  • Fiscalização Diária: Equipes percorrem a orla para notificar barracas que ainda tentam burlar a lei. Mais de 26 estabelecimentos já foram notificados nos primeiros dias do novo decreto.
  • Combate a Atividades Irregulares: Além da venda casada, a prefeitura intensificou o cerco contra “flanelinhas” e pessoas que ocupam ilegalmente espaços públicos para extorquir turistas.
  • Capacitação: O Procon iniciou reuniões de orientação obrigatória com os barraqueiros para reeducar a categoria sobre os direitos do consumidor e boas práticas de atendimento.

4. Pedido de Desculpas e Novo Protocolo

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, classificou o episódio como inadmissível e pediu desculpas públicas ao casal e aos turistas. Ela determinou a criação de um novo protocolo de segurança focado especificamente em polos turísticos, para que as forças de segurança ajam com mais rapidez em conflitos na orla.

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