O que acontece quando o sistema educacional deixa de amparar jovens com deficiência? Para a maioria das famílias, esse momento — a transição para a vida adulta — é cercado de angústia e incertezas. Para John D’Eri, de Parkland, Florida/EUA, foi o combustível para uma revolução no mercado de trabalho.
Do medo à inovação: O nascimento de um propósito
A história da Rising Tide Car Wash começou com uma preocupação comum a milhares de pais de pessoas no espectro autista. Ao observar seu filho Andrew chegar aos 21 anos, John percebeu um abismo: embora Andrew fosse um jovem extremamente capaz, o mercado de trabalho simplesmente não oferecia oportunidades para ele.
Em 2011, John teve uma ideia audaciosa: adquirir um lava-rápido. O objetivo não era apenas dar um emprego ao filho, mas provar que o autismo, frequentemente visto sob a ótica da piedade, poderia ser um trunfo comercial.
Combatendo a exclusão com eficiência

Ao lado de seu outro filho, Thomas (Cofundador e COO), John mergulhou em uma jornada de oito anos para entender por que a taxa de desemprego entre pessoas com autismo ultrapassa os 90%. A conclusão foi direta: a sociedade foca na deficiência, ignorando uma diversidade que pode ser convertida em vantagem competitiva.
“Muitas pessoas incrivelmente capazes raramente têm a chance de brilhar porque são rotuladas pelo que não conseguem fazer, em vez de serem valorizadas pelo que trazem de único”, afirma a liderança da empresa.
Números que impressionam: A prova do sucesso
A Rising Tide não é apenas um projeto social; é um negócio de alta performance. Os resultados são incontestáveis:
- Crescimento Exponencial: A primeira unidade, comprada em 2012 quando estava à beira da falência, saltou de 35 mil para mais de 150 mil carros lavados por ano.
- Retenção de Talentos: A taxa de permanência dos funcionários é cinco vezes maior que a da concorrência.
- Expansão: A segunda unidade, construída do zero, atingiu o ponto de equilíbrio financeiro em apenas dois meses.
O segredo: Design focado no ser humano
Muitos podem pensar que a Rising Tide prospera apesar de sua força de trabalho neurodiversa. A realidade é o oposto: o sucesso ocorre por causa dela.
A empresa utiliza o conceito de “usuários extremos”. Ao desenhar sistemas, processos e cultura voltados para as necessidades específicas de colaboradores autistas — que possuem um olhar aguçado para detalhes e entusiasmo pela rotina — a Rising Tide elevou o padrão de qualidade de todo o setor.
Ao final do dia, cada cliente satisfeito é uma prova viva de que, quando criamos condições para que todos vençam, o negócio também ganha. A Rising Tide não está apenas lavando carros; está limpando o preconceito de uma sociedade que ainda tem muito a aprender sobre o valor da inclusão.