24 de fevereiro de 2026
racism - Copia

Dos insultos históricos à onda de ataques contra Vinícius Júnior, o esporte mais popular do mundo ainda luta contra o preconceito

O futebol sempre foi apresentado como um espaço de integração social e diversidade. Dentro de campo, jogadores de diferentes origens constroem histórias que emocionam milhões. Fora dele, porém, o esporte convive com um problema antigo e persistente: o racismo. Apesar das campanhas institucionais e das punições mais severas adotadas nos últimos anos, episódios discriminatórios continuam a ocorrer em estádios de todo o mundo — muitas vezes tendo atletas negros como alvo direto.

Nos últimos anos, poucos jogadores simbolizam essa luta de forma tão visível quanto o brasileiro Vinícius Júnior, que se tornou o rosto contemporâneo do combate ao racismo no futebol internacional.

Um problema histórico

O racismo acompanha o futebol desde o início do século XX. Jogadores negros enfrentaram resistência para entrar nos clubes e, mesmo depois de consagrados, continuaram sendo alvo de ofensas.

Casos emblemáticos marcaram a memória do esporte:

  • Em 2014, o lateral brasileiro Daniel Alves recebeu uma banana jogada por um torcedor durante uma partida na Espanha — gesto que simbolizava um insulto racista. O jogador reagiu comendo a fruta antes de cobrar o escanteio, numa atitude que ganhou repercussão mundial.
  • Em diferentes ligas europeias, jogadores negros relatam gritos imitando macacos, insultos e ameaças vindas das arquibancadas.
  • Mesmo atletas consagrados já foram vítimas, mostrando que talento e reconhecimento não protegem contra o preconceito.

Esses episódios evidenciam que o racismo no futebol não é pontual, mas estrutural — repetindo padrões em diversos países e competições.

Vinícius Júnior e a nova onda de denúncias

Nos últimos anos, Vinícius Júnior passou a denunciar publicamente os episódios de racismo sofridos durante partidas, principalmente na Europa. Sua postura firme mudou o debate: o jogador deixou de aceitar os ataques em silêncio e passou a cobrar punições mais duras das autoridades esportivas.

Essa postura fez com que ele se tornasse um símbolo da luta contra a discriminação — mas também um dos jogadores mais frequentemente alvo de ataques racistas.

O episódio mais recente ocorreu na semana passada, durante uma partida da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Benfica, em Lisboa.

O caso Benfica: mais um capítulo

Durante o jogo, Vinícius denunciou ter sido chamado de “macaco” pelo jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica.

O incidente aconteceu após o brasileiro marcar o gol da vitória do Real Madrid. O árbitro acionou o protocolo antirracismo e a partida foi interrompida por cerca de dez minutos.

A UEFA abriu investigação e aplicou uma suspensão provisória ao atleta do Benfica enquanto o caso é analisado.

O jogador português nega as acusações e afirma que houve mal-entendido, mas o episódio reacendeu o debate mundial sobre racismo no futebol.

Reação mundial

O caso teve repercussão imediata entre jogadores, dirigentes e entidades esportivas.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, declarou estar “chocado e triste” com o episódio e reforçou a necessidade de combater o racismo no futebol.

A entidade internacional voltou a defender:

  • tolerância zero contra racismo
  • aplicação de protocolos antidiscriminação
  • punições esportivas e disciplinares mais duras
  • possibilidade de paralisação ou encerramento de partidas

Além disso, o caso provocou manifestações de solidariedade de jogadores, treinadores e jornalistas em vários países e recolocou o racismo no centro do debate esportivo global.

Mais do que um caso isolado

O episódio envolvendo Vinícius Júnior reforça que o racismo no futebol está longe de ser resolvido. A repetição de ataques mostra que campanhas educativas e multas financeiras não têm sido suficientes para mudar comportamentos.

Ao mesmo tempo, a reação mundial indica uma mudança importante: hoje os casos são denunciados com mais rapidez, investigados com maior rigor e acompanhados pela opinião pública global.

Vinícius Júnior tornou-se símbolo dessa transformação — um jogador que se recusa a naturalizar o preconceito e que tem pressionado federações e clubes a agir com mais firmeza.

O caso mais recente ainda está sob investigação, mas já produziu efeitos importantes: punição provisória, mobilização internacional e novo debate sobre a responsabilidade das entidades do futebol.

Mais do que uma disputa esportiva, o episódio mostra que a luta contra o racismo continua sendo um dos grandes desafios do futebol mundial — dentro e fora dos estádios.

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