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O aumento da obesidade infantil no Brasil tem preocupado especialistas em saúde. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso, realidade que acende um alerta sobre os hábitos alimentares adotados dentro de casa e nas escolas.

Em entrevista ao programa Fator de Risco, da Rádio Câmara, a nutricionista Tainara Abreu destacou que a alimentação infantil vai muito além do ato de comer. Segundo ela, o desenvolvimento de hábitos saudáveis na infância influencia diretamente a saúde física, emocional e comportamental ao longo da vida.

“A alimentação infantil não envolve apenas o alimento. Ela envolve comportamento, emoção e construção de hábitos que vão acompanhar essa criança durante toda a vida”, afirmou.

A especialista explica que os pais exercem papel fundamental nesse processo, já que servem de referência para os filhos. Quando os adultos mantêm uma alimentação equilibrada, aumentam as chances de a criança reproduzir esses comportamentos.

“O exemplo dentro de casa faz toda a diferença. Se os pais consomem muitos alimentos ultraprocessados, refrigerantes e frituras, a criança tende a seguir o mesmo caminho”, explicou.

Segundo Tainara, a rotina acelerada das famílias tem favorecido o consumo de alimentos industrializados e de preparo rápido. Por isso, ela recomenda alternativas mais práticas e saudáveis feitas em casa, como sanduíches naturais, bolos caseiros e versões adaptadas de fast foods.

Outro ponto destacado pela nutricionista é a influência da publicidade infantil e do apelo visual utilizado pela indústria alimentícia. Personagens, cores vibrantes, brinquedos e espaços recreativos em lanchonetes acabam estimulando o desejo das crianças por alimentos ricos em açúcar, gordura e sódio.

“As cores, os personagens e os sabores são desenvolvidos justamente para atrair o paladar infantil. Muitas vezes a criança cria uma associação emocional positiva com aquele alimento”, disse.

Além do ambiente familiar, os cuidadores e as escolas também têm papel importante na formação alimentar. Tainara orienta os pais a acompanharem de perto a alimentação oferecida nas creches e instituições de ensino, buscando informações sobre cardápios, preparo dos alimentos e aceitação das refeições pelas crianças.

“Muitos pais dizem que a criança come bem na escola, mas não come em casa. Então é importante entender como aquele alimento está sendo apresentado e preparado”, ressaltou.

A nutricionista também abordou um desafio comum entre as famílias: a seletividade alimentar infantil. Segundo ela, a rejeição inicial a determinados alimentos é normal e faz parte do processo de adaptação do paladar.

Estudos mostram que uma criança pode precisar ser exposta entre cinco e quinze vezes ao mesmo alimento antes de aceitá-lo definitivamente. Por isso, a recomendação é insistir sem pressão e variar as formas de preparo.

“Uma criança pode não gostar da beterraba crua, mas aceitar cozida, assada ou misturada em outra preparação. O importante é não desistir e não transformar a alimentação em um momento traumático”, explicou.

Ela alerta que forçar a criança a comer pode gerar memórias negativas relacionadas aos alimentos, dificultando ainda mais a aceitação no futuro.

“O ideal é criar um ambiente acolhedor e tranquilo. A criança precisa ter contato com o alimento, tocar, experimentar e participar do preparo”, afirmou.

Outro fator que preocupa especialistas é o aumento de doenças crônicas em crianças e adolescentes, como diabetes, obesidade e compulsão alimentar. Segundo Tainara, o excesso de telas durante as refeições e a falta de atenção ao momento da alimentação contribuem para o consumo exagerado de produtos ultraprocessados.

“Hoje as crianças comem assistindo televisão, usando celular ou tablet. Muitas vezes elas não percebem nem o que estão comendo”, observou.

A nutricionista reforça que pequenas mudanças na rotina familiar podem gerar impactos positivos importantes na saúde infantil. Entre as recomendações estão reduzir o consumo de alimentos industrializados, incentivar refeições em família, evitar distrações durante as refeições e incluir as crianças no preparo dos alimentos.

“Quando a criança participa da cozinha e do preparo das refeições, ela cria mais interesse pelos alimentos naturais”, concluiu.

Especialistas alertam que a prevenção da obesidade infantil depende diretamente da construção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida, associando alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento familiar constante.

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