david cpb

A educação inclusiva passa, necessariamente, pela valorização do esporte como instrumento de transformação social. Essa é a principal mensagem defendida por Davi Farias Costa, integrante da coordenação do Programa de Educação Paralímpica do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), durante entrevista concedida ao programa Giro Esportivo. As informações a seguir foram extraídas da entrevista fornecida pelo usuário.

Segundo Davi, o Programa de Educação Paralímpica tem como missão qualificar profissionais para atuar tanto na inclusão de estudantes com deficiência nas aulas de Educação Física quanto na formação de técnicos, árbitros, classificadores e demais especialistas ligados ao esporte paralímpico de alto rendimento.

“O melhor caminho para tornar o esporte acessível é investir na formação dos profissionais que atuam diretamente com crianças, jovens e adultos com deficiência”, destacou.

Esporte como ferramenta de combate ao preconceito

Durante a entrevista, Davi ressaltou que o contato com as modalidades paralímpicas contribui para modificar a percepção da sociedade sobre as pessoas com deficiência, substituindo a visão baseada nas limitações pelo reconhecimento das potencialidades.

Ele afirmou que o esporte fortalece a autoestima, promove autonomia, amplia oportunidades de inserção social e pode até representar uma fonte de renda para muitas famílias.

“O esporte é transformador. Ele combate o preconceito e mostra que a deficiência não impede ninguém de alcançar grandes resultados”, enfatizou.

Formação gratuita para educadores

Um dos pilares do programa é oferecer capacitação gratuita para professores e profissionais da educação por meio de cursos presenciais, síncronos e assíncronos.

De acordo com Davi, as formações são desenvolvidas em parceria com secretarias municipais e estaduais de Educação e contam com certificação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), podendo inclusive ser utilizadas para progressão funcional na carreira docente.

Além da qualificação profissional, o programa busca aproximar escolas, famílias e comunidade, fortalecendo uma cultura de inclusão dentro do ambiente escolar.

Escola é porta de entrada para o esporte paralímpico

Na avaliação do representante do CPB, a escola deve ser o principal espaço para o primeiro contato das crianças com deficiência com o esporte.

Ele lamentou que muitos estudantes ainda sejam excluídos das atividades físicas por receio ou despreparo das instituições, situação que considera incompatível com os princípios da inclusão.

Para Davi, garantir a participação plena nas aulas de Educação Física significa assegurar direitos fundamentais ligados ao lazer, à convivência e ao desenvolvimento humano.

“A criança precisa brincar, participar e fazer parte das atividades junto com os demais colegas. O medo do educador não pode resultar em exclusão”, afirmou.

Descoberta de novos talentos

Embora o objetivo principal da educação paralímpica seja a inclusão, o programa também contribui para a identificação de futuros atletas.

Segundo Davi, professores capacitados conseguem orientar estudantes e famílias sobre os caminhos existentes dentro do Movimento Paralímpico Brasileiro, como os Centros de Referência do Comitê Paralímpico Brasileiro, a Escola Paralímpica de Esportes e projetos de iniciação esportiva espalhados pelo país.

Ele destacou que o Brasil conta ainda com cerca de 1.500 associações que oferecem atividades esportivas para pessoas com deficiência, além de projetos de extensão desenvolvidos por universidades.

Investimento na base é fundamental

Ao comentar o crescimento do Brasil nas competições internacionais, Davi defendeu que a continuidade dos bons resultados depende de investimentos estruturais na educação e no esporte escolar.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de melhor infraestrutura nas escolas, ampliação dos espaços esportivos, integração entre as políticas públicas de educação e esporte e utilização dos equipamentos escolares pela comunidade nos fins de semana.

Segundo ele, fortalecer a base significa garantir oportunidades para todos, independentemente de o estudante seguir ou não uma carreira esportiva.

Inclusão é responsabilidade coletiva

Na mensagem final da entrevista, Davi reforçou que promover a inclusão não é responsabilidade exclusiva de professores ou gestores públicos, mas um compromisso de toda a sociedade.

Ele também fez um apelo para que pessoas com deficiência não aceitem ser definidas pela condição de vulnerabilidade ou pelo estigma do “coitadismo”, defendendo o protagonismo, a autonomia e a busca pelos próprios sonhos.

Para o representante do Comitê Paralímpico Brasileiro, educar para a inclusão é formar cidadãos mais conscientes, respeitosos e preparados para construir uma sociedade em que as diferenças sejam reconhecidas como parte da diversidade humana e não como barreiras ao desenvolvimento.

Assista a entrevista

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *