SIMONE

A educação ambiental possibilita desenvolver o conhecimento vivido no cotidiano de cada aluno, relacionando conteúdos e práticas na preservação do meio ambiente e oportunizando mudança de atitudes, hábitos e valores. É a preservação da vida humana, que também inclui a preservação do bem comum e da natureza do ser humano; um trabalho de conscientização possível a partir da integração entre educação, sustentabilidade, reciclagem e responsabilidade social.
Importante ressaltar que a partir da Rio-92, a Educação Ambiental passou a ser inserida dentro do contexto escolar de maneira cada vez mais abrangente e diversificada, estritamente dependente da perspectiva educacional e da conotação que se tem de ambiente, mas de modo geral com uma orientação para a sustentabilidade, enfatizada em 2002, na declaração da ONU que decretou o período de 2005-2014 como o decênio da educação para o desenvolvimento sustentável.
Educar para a sustentabilidade é uma proposta desafiadora, pois implica criar condições para que as iniciativas educacionais sejam estratégicas na realização das mudanças necessárias, motivando os alunos a agirem com responsabilidade em direção às metas de sustentabilidade e responsabilidade social; contribuindo na formação de sujeitos críticos, responsáveis e ativos na sociedade em que vivemos; aplicados a novas descobertas e formas de aprender. Utilizando materiais e metodologias diferenciadas para ampliar o saber fazer saber, fazendo com que o conhecimento se alie com a prática em um ambiente de aprendizagem.
Repensar a questão da sustentabilidade na Educação em seu contexto ampliado, envolve uma perspectiva ampliada de mundo, clareza da finalidade do ato educativo, posição política e concepção de homem e mundo. Precisamos vencer grandes desafios no processo educativo, e para isso se faz necessário desconstruir paradigmas sociais e acadêmicos da linearidade do conhecimento, da fragmentação do saber; e oportunizar um planejamento didático que viabilize o diálogo, a cooperação e a troca entre Educação e Sustentabilidade.
Educação Ambiental integrada de forma interdisciplinar, envolvendo diferentes disciplinas e áreas de conhecimento
Para o alcance dessa proposta, é necessário, implementar a educação ambiental no processo ensino aprendizagem de acordo com às especificidades da BNCC (Base Nacional Comum curricular) acerca da sustentabilidade e consciência ambiental, além de disponibilizar material didático-pedagógico para auxiliar os profissionais de educação na abordagem destes temas; e realizar pesquisas para o monitoramento e avaliação desse trabalho. Nesta perspectiva, a BNCCproporciona a escola a refletir sobre o seu currículo, sobre as necessidades de sua comunidade escolar quanto à realidade de diversificar as práticas pedagógicas e ampliam um leque de possibilidades para a formação do (a) educando (a). Nessa perspectiva, o ensino-aprendizagem oportuniza um espaço-tempo de reflexão crítica acerca da realidade social e, sobretudo, referência para o processo de construção das identidades destes sujeitos e de seus grupos a qual pertence, o que é determinante na construção da leitura de mundo deste aluno. Por isso, se faz necessário e urgente refletirmos nossas práticas educacionais, por uma educação ambiental crítico social. É possibilitar pensar o novo, reinventar o pensar; eternizar vivências, criar ferramentas úteis para a construção dos saberes, no caso, ambientais.
O papel do especialista em Educação Ambiental na orientação e capacitação de professores para abordar questões ambientais em sala de aula
Atualmente, a docência, vive muitos desafios, o cotidiano da sala de aula é sempre instável e exige do professor/educador a reinterpretação de cada situação problemática em decorrência do confronto desta com outra experiência já vivida.
Para fazer jus ao desafio de abordar questões ambientais no cotidiano escolar, a escola precisa criar condições para que o docente possa mobilizare construir um ambiente socialmente justo e ecologicamente equilibrado, criando e ressignificando novas possibilidades na construção de novos saberes aliando teoria e prática, buscando práticas dialógicas, interativas, um ensino reflexivo e relevante para o cenário atual, um exercício do aprender a aprender; aprender a ser; aprender a conviver e aprender a fazer.
A pesquisa e a extensão na docência são imprescindíveis, implicam compreender a importância do papel da docência, propiciando uma profundidade científico-pedagógica que os capacite a enfrentar questões fundamentais e desafiadoras na atualidade, como: ser sujeito de sua ação profissional, articulando múltiplos saberes acerca da Educação Ambiental e Sustentabilidade, ressaltando a pluralidade e a interdisciplinaridade, associando os saberes científicos e as relações com os demais, com o ambiente, valorizando a diversidade cultural, proporcionando a conexão do currículo escolar com as novas tendências da sociedade.
O desafio consiste em construir novas organizações curriculares voltadas para concepções de aprendizagens como um conjunto de práticas e significados, inter-relacionais e contextualizados, novas abordagens, selecionando novos conteúdos e articulando novos currículos para os ensinos Fundamental, Médio, Técnico e Superior. Ou seja, que se construa uma ponte dialógica entre os saberes teóricos e os práticos ao longo da formação, de forma a contribuir na formação do educando, um profissional que, entre investigação e ensino e entre teoria e prática, possibilite a construção do saber.
Estratégias pedagógicas têm se mostrado mais eficazes para sensibilizar os alunos sobre a importância da sustentabilidade e incentivá-los a adotar práticas mais conscientes
É preciso, que o professor desenvolva em suas aulas recursos diversos, de acordo com os seus objetivos propostos, pois assim possibilitará uma aprendizagem mais dinâmica e de fácil apreensão por parte dos alunos, propiciando a formação de valores e atitudes que se associam com a sustentabilidade ambiental e a equidade social.
Há diversos recursos a serem adotados e muitas sugestões, como:
Recursos visuais – slides, painel, recortes de revistas, trabalho com diversos textos que favoreçam facilidade na interpretação deles. Podendo ampliar estes recursos com trabalhos em grupo.
Recursos auditivos – músicas, paródias, por exemplo, é muito eficaz para facilitar o processo ensino-aprendizagem e a integração entre os alunos.
Recursos audiovisuais como filmes, documentários, vídeos; são grandes facilitadores na compreensão dos conteúdos, podendo elaborar relatórios, debates sobre eles.
Recursos múltiplos – jogos, elaboração de trabalhos criativos e manuais como livros, maquetes, trabalhos em grupo, oficinas de artes, leitura, poesia, elaboração de jogos com material reciclável que atenda as diversas disciplinas.
Metodologias Ativas de Aprendizagem – são aplicadas com o suporte de tecnologias. E essa combinação pode trazer ótimos resultados para as práticas envolvendo educação ambiental e a formação integral dos alunos; permitindo o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais para o futuro, como investigar, questionar, analisar, criar, interpretar, resolver problemas e desenvolver soluções.
Todos esses recursos garantem um ensino mais complexo, dinamizado e eficaz, um ensino de qualidade onde os alunos possam ver, ouvir e relacionar com o que já sabe e com a realidade, despertando o interesse por parte do aluno, e tornando a aula mais dinâmica. E contribuindo na formação de cidadãos críticos, transformadores e sensíveis ao meio em que vivem.
Educação Ambiental – contribuição para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais dos alunos, como empatia e responsabilidade social
É preciso que o professor tenha claro essa questão ao desenvolver os conteúdos selecionados. Nesse contexto, o professor necessita pensar e propor diversas situações de ensino-aprendizagem, nas quais os alunos terão a oportunidade de construir soluções para as situações, verificá-las, pensando e repensando sobre elas. Visando favorecer a formação do cidadão para que este assuma formas de participação social, política e de atitudes críticas diante da realidade que o cerca, aprendendo a discernir limites e possibilidades em sua atuação e transformação da realidade histórica ambiental na qual está inserido. Reconhecendo a importância de contemplar o ser humano como um todo, estabelecendo uma conexão do indivíduo com o meio, na formação dos cidadãos nas suas concepções mais amplas e democráticas. Em outras palavras, constituindo-se desta forma em um processo educativo fundamentalmente democrático, pelo desenvolvimento de capacidades de percepçãocrítica, empatia, responsabilidade social e autoconhecimento como sujeitos de um tempo e lugar.
A tecnologia como ferramenta para fortalecer os princípios da Educação Ambiental e conectar os alunos com questões ambientais globais
As habilidades e competências exigidas do profissional docente requerem uma preparação acadêmica tanto na área específica do conhecimento, quanto no campo da cognição das teorias de aprendizagem e das novas linguagens como o uso dos novos recursos tecnológicos na educação ambiental.
A educação ambiental desempenha um papel importante neste processo de transformação, é preciso oportunizar o aluno a buscar meios de evoluir em sua vida sob todos os aspectos, despertando no ser humano a consciência e reflexão crítica para uma transformação social, diante de uma realidade com grande influência midiática, tecnológica e virtual.
A multimídia aplicada a partir de: texto, mapas, gráficos, vídeo, dentre outros; procura de uma certa forma reproduzir a maneira associativa de organizar as informações, o que foi possível com a criação e melhoramento de uma série de interfaces, tais como os ícones dos programas e a disseminação de seus significados globalmente. Assim, fortalecer os princípios da Educação Ambiental e conectar os alunos com questões ambientais globais se torna possível quando o professor problematiza o saber ambiental apresentado no suporte digital, colocando-o em uma perspectiva onde os alunos possam se apropriar e utilizá-lo para a construção das atitudes ecológicas.
Os indicadores tangíveis de sucesso na implementação de programas de Educação Ambiental nas escolas
A escola deve educar para a vida e na vida, desde bem cedo, entendendo a sociedade como um espaço de realizações instigando no aluno a formação de uma consciência crítica e cidadã. Por esta perspectiva, com a criação da Lei nº 9.795, foi instituída a Política Nacional de Educação Ambiental, que se fez presente em todos os níveis e modalidades da educaçãoe prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no Parecer CNE/CP nº 14/2012 e na Resolução CNE/CP nº 2/2012, descreve que a Educação Ambiental seja ofertada a formação em temas relacionados à natureza em seus diferentes aspectos (sociais, econômicos, comunitários e ambientais).
A educação ambiental precisa ser atribuída no contexto educacional de maneira contextualizada à realidade dos estudantes e de modo interdisciplinar. Sendo assim, aliá-la à tecnologia e a novas metodologias de ensino é uma solução cada vez mais aplicada para tornar o aprendizado mais significativo e engajador, tangível de sucesso.
A interação que acontece na sala de aula quando permeada de sentimentos e emoções que afetam os sujeitos, é responsável pela consolidação de todo o processo de ensinar e aprender, tornando-os melhores para a vida e na vida; transmitindo não o mero saber, mas o pensar, em outras palavras é conceber e viver o processo ensino aprendizagem.

Por Simone Viana, Mestre em Políticas Sociais. Professora e Coordenadora do curso de Pedagogia Universidade Estácio de Sá, Professora e Pesquisadora nas áreas História Moderna e Contemporânea, história Regional, Trabalho, Políticas Sociais e Públicas, Educação e Cultura. Professora e Coordenadora Educação Básica.

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