23 de abril de 2026
tres escritores

Israel (acima), Yasmin e Rogério

Síndrome de Smith-Lemli-Opitz

A síndrome de Smith-Lemli-Opitz foi descrita, primeiramente, em 1964 pelos pediatras Smith, Lemli e Opitz, porém, sua etiologia só foi esclarecida em 1993, quando alguns autores descobriram o baixo nível de colesterol em sujeitos afetados por essa síndrome, podendo aparecer na literatura com nomes como deficiência de reductase de 7 DEHYDROCHOLESTEROL, síndrome RSH ou síndrome (sSLO) (MENEGAZZO et al 2015).

Portanto, de acordo com Freire (2016), a Síndrome de Smith-Lemli-Opitz é uma desordem recessiva autossômica ocasionada devido a defeitos congênitos na biossíntese do colesterol. As pessoas que possuem a síndrome geralmente apresentam mutações no gene DHCR7, o qual codifica a proteína 7- dehidrocolesterol redutase, última enzima na via da biossíntese do colesterol, que converte o 7-DEHIDROCOLESTEROL (7-DHC) em colesterol. Ainda de acordo com Freire (2016), o colesterol é o principal componente das membranas celulares, das organelas, das vesículas e da bainha de mielina do sistema nervoso central e periférico. Além disso, é o precursor dos sais biliares, dos hormônios esteroides e da vitamina D. Dessa forma, a deficiência do colesterol resulta em consequências neurológicas e no desenvolvimento, contribuindo para a patologia da sSLO.

De modo geral, sujeitos portadores da sSLO apresentam retardo no crescimento, atraso do desenvolvimento e anormalidades congênitas, afetando múltiplos órgãos. O diagnóstico laboratorial pode ser feito pela avaliação da concentração sérica de 7-DHC e a confirmação diagnóstica feita pelo estudo molecular do gene DHCR7, permitindo o aconselhamento genético e o diagnóstico pré-natal.

O tratamento da sSLO envolve a reposição de colesterol, seja por dieta, como a rica em gema de ovo ou por colesterol farmacêutico. Os benefícios clínicos são voltados para os problemas comportamentais e de desenvolvimento, incluindo melhora do crescimento e tônus muscular, diminuição de infecções, da irritabilidade e da fotossensibilidade. O tratamento, embora não atinja as áreas do cérebro afetadas, melhora a sociabilidade e, consequentemente, a qualidade de vida dos indivíduos (BRASIL, 2013).

De acordo com Nowaczyk et al (2013) as pessoas com a síndrome de SmithLemli-Opitz apresentam, como principais características: testa estreita, dobras 19 epicantais4 , ptose, mandíbula curta com preservação da largura da mandíbula, nariz curto, narinas antevertidas e orelhas baixas, sindactilia dos dedos do pé (mínimo à forma de Y), além de: microcefalia, restrição ao crescimento baixa estatura, deficiência intelectual, Hipospádia em homens, Fenda palatina, Polidactili5 pós-axial. Podendo apresentar problemas de comportamento incluem múltiplos traços autistas, hiperatividade, comportamento auto agressivo e perturbações do sono.

A função cognitiva varia da capacidade intelectual limítrofe à incapacidade intelectual grave. A função intelectual normal baixa pode ser vista em indivíduos com formas leves de sSLO. Os sinais/sintomas de comportamento incluem o seguinte: hiperatividade sensorial, irritabilidade, perturbação do ciclo do sono, comportamento autolesivo (morder a mão e/ou bater a cabeça), comportamentos do espectro do autismo (46% -53%), desregulação do temperamento, déficits sociais e de comunicação, depressão.

Síndrome de Joubert

De acordo com Brancati, Dallapiccola e Valente (2008), a Síndrome de Joubert foi descrita pela primeira vez em 1969 pela Dra. Marie Joubert em colaboração de colegas de trabalho. Os médicos descreveram o caso de quatro irmãos canadenses com agenesia do vermis cereberar que apresentavam hiperpneia e/ou apneia, hipotonia, anomalia nos movimentos oculares, ataxia6 e deficiência intelectual. Um dos irmãos apresentava meningoencefalocele occipital.

A síndrome de Joubert refere-se a um distúrbio de origem genética autossômica recessiva rara, que pode ocorrer por mutações em mais de 30 genes diferentes, dentre os genes estão: AHI1 em 6q23, NPHP1 em 2q13, CEP290 (NPHP6) em 12q21.32, TMEM67 em 8q21, RPGRIP1L em 16q12.2, e por fim em 9q34 e 11p12- q13. Alguns desses genes desempenham papéis essenciais no desenvolvimento e funcionamento de diversos tipos de células, incluindo fotorreceptores da retina, neurônios, túbulos renais e ductos biliares (MACHADO et all, 2018).

Vale ressaltar que muitos casos podem ocorrer esporadicamente, ou seja, não herdados, nesse caso, a causa genética é desconhecida. Na grande maioria das vezes é herdada de forma autossômica recessiva, isso quer dizer que as pessoas com Síndrome de Joubert herdam uma cópia defeituosa do gene de ambos os pais, ditos transportadores. Pessoas que possuem a condição autossômica recessiva, geralmente não demonstram sinais.

A SJ pode ser dividida em subgrupos distintos. Ainda dialogando com Brancati et all. (2010, s/p, tradução nossa), as variações e tipologias da SJ podem ser classificadas em:

· Síndrome de Joubert Puro (SJ): Além das anomalias relacionadas ao sinal molar, os pacientes apresentam sintomas neurológicos caracterizados por ataxia, atraso no desenvolvimento e distúrbios na respiração e coordenação ocular. Não está associado a outras alterações no nível físico.

· Síndrome de Joubert com defeitos oculares (JS-O): Além das características neurológicas, estão presentes alterações físicas relacionadas à distrofia retiniana.

· Síndrome de Joubert com defeitos renais (JS-R): Além das características neurológicas, estão presentes alterações físicas relacionadas às patologias renais.

· Síndrome de Joubert com defeitos ocular-renais (JS-OR): Além das características neurológicas, estão presentes alterações físicas relacionadas à distrofia retiniana e patologias renais.

· Síndrome de Joubert com defeitos hepáticos (JS-H): os sintomas característicos da síndrome de Joubert estão relacionados à presença de alterações hepáticas, corioretinananas ou do cloma no nervo óptico.

· Síndrome de Joubert com defeito digito-oro-facial (JS-OFD): os sintomas neurológicos são acompanhados de alterações físicas como língua lobada ou bífida, frênulo oral, polidactilia, entre outros.

Cabe ressaltar que as características incluídas na classificação podem sofrer alterações de acordo com cada sujeito, nesse sentido, pode ocorrer de um sujeito que se enquadra na classificação de SJ possuir as peculiaridades de outros subgrupos.

Algumas considerações

Dadas as características genotípicas e fenotípicas dos sujeitos com as síndromes destacadas neste estudo, evidencia-se que a característica comum entre ambas é a prevalência da deficiência intelectual. Diante disso, ressaltamos que conhecer as principais características, particularidades e peculiaridades desses sujeitos torna-se de extrema importância para o desenvolvimento de práticas pedagógicas – isso no contexto escolar – que busquem aprendizagem e o desenvolvimento das capacidades cognitivas de tais sujeitos. Entretanto, também se torna importante para outros profissionais – psicólogos, terapeutas, médicos, fonoaudiólogos, dentre outros – que comporão a equipe multidisciplinar que acompanhará o processo de desenvolvimento global dessas pessoas.

Referências

BRANCATI, F; DALLAPICCOLA, B; VALENTE, E. M. Genotypes and phenotypes of Joubert syndrome and related disorders. European J Med Genet. Vol. 51, n. 1, p. 1- 23, 2008.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Metabólico. Brasília, DF, 2013.

FREIRE, Maíra Cristina Menezes. Síndrome de Smith-Lemli-Opitz – Estudo Molecular. Boletim Técnico. Hermes Pardini – medicina, saúde e bem-estar. ANO 4 | NÚMERO 17 | MARÇO DE 2016.

MACHADO, C. A. S da; et all. Síndrome de Joubert – um relato de caso. Revista Residência de Pediatria. Macaé, v. 8, n. 3, p. 137-140, abr/jun, 2018.

MENEGAZZO et al. Influência da cinoterapia e perfil do animal durante exercícios fisioterapêuticos na Síndrome de Smith Lemli Optiza. FisiSenectus. Unochapecó Ano 3, n. 1 – Jan/Jun. 2015.

NOWACZYK, MAŁGORZATA J.; CAREY, John C. Narrative medicine: A call to pens. American Journal of Medical Genetics Part A, 2013.

Israel (acima), Yasmin e Rogério

Israel Rocha Dias – Doutor e mestre em Educação, Professor do Atendimento Educacional Especializado do Município de Vila Velha – ES.

Yasmin Rocha dos Santos – Doutoranda e mestre em Educação, Professora do Atendimento Educacional Especializado do Município de Cariacica – ES.

Rogério Drago – Doutor em Educação, Mestre em Educação, Professor associado IV do Centro de Educação e do PPGE/CE/UFES.

São autores do livro “Síndrome de Smith-Lemli-Opitz e Síndrome de Joubert – Aprendizagem, desenvolvimento e processo inclusivos”, publicado pela Wak Editora.

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